Vencedores 2005


Veja como foi a festa de premiação

Francinéia Soares, Marileusa Reducino, Beloní Braga e Ricardo Levi.


Categoria A
Educação Infantil, 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental

1º Lugar
Projeto: Olhares e Poiésis: Imagens, Histórias e Memórias da Cidade
Professor (a)/Representante do grupo: Marileusa de Oliveira Reducino
Escola: Escola de Educação Básica da Universidade Federal de Uberlândia
Pólo Arte na Escola: UFU – Uberlândia - MG
Coordenador do Pólo: Eliane Tinoco

Resumo: O projeto de ensino desenvolvido com alunos da 4ª série do Ensino Fundamental trouxe a proposta de análise das constantes mudanças no perímetro urbano da cidade de Uberlândia ao longo do século XX e o diálogo com a imagem contemporânea representada por uma praça da cidade e seu entorno. Seu objetivo geral foi propiciar reflexões sobre a relação entre passado e presente instaurada nos aspectos urbano-arquitetônicos da estética da cidade, contemplando suas histórias e memórias em percursos teórico-plásticos-vivenciais. Connhecimentos ligados à história da cidade como arquitetura, preservação patrimônio histórico, traçado urbano e os específicos da arte como leitura de imagem, pintura, monocromia, mosaico e escultura foram trabalhados simultaneamente, dando um caráter interdisciplinar à proposta que uniu pesquisas em Artes Visuais, História, Geografia e Arquivologia. Pesquisa de imagens de fachadas da cidade e de outras deram origem a um mural, visita monitorada ao Museu Municipal de Uberlândia, fabricação artesanal de tintas a partir de plantas coletadas pelos alunos, reflexões a partir de vídeos históricos e a comparação do planejamento urbanístico de Uberlândia com o de Brasília a partir de uma das pranchas do material arte br foram alguns dos percursos realizados pelos alunos. Ao fim de todas as propostas, foi elaborada uma representação urbana em miniatura para a qual os alunos fizeram pesquisas sobre as linguagens plásticas contemporâneas. Para a professora, a possibilidade de repensar a cidade em seus diferentes aspectos urbanísticos e repensar a característica da cidade, permitiu, durante as aulas de arte, a reflexão dos alunos sobre a importância da preservação de elementos arquitetônicos representativos para a memória da cidade e para a identidade do cidadão uberlandense. “Oferecendo-se as ferramentas para a construção do conhecimento com base em ressignificações e contextualizações, trabalha-se competências ao capacitar o aprendiz a emitir respostas às demandas sociais, exercendo seu papel de cidadão participativo e crítico”, acredita Marileusa.


2º Lugar
Projeto: A Arte e o Desenvolvimento do Ser Sensível
Professor (a)/Representante do grupo: Francinéia F. Gomes Soares
Escola: CAIC Assis Chateubriand
Pólo Arte na Escola: UNB – Brasília - DF
Coordenador do Pólo: Renata Azambuja

Resumo: O projeto envolveu 270 crianças entre 2004 e 2005 da Educação Infantil, além de pais, mães e artistas da comunidade. A escola localizada em Planaltina – segunda cidade satélite mais violenta do Distrito Federal e 1ª em número de crianças em situações de risco – trabalha com alunos economicamente desfavorecidos. Numa avaliação iniciante a professora observou que as crianças apresentavam desenhos estereotipados e que representavam cenas repetitivas de violência. Isso apontou para a professora o início do seu percurso. Para nutrição estética da turma apresentou histórias de artistas e réplicas de obras, contato direto com artistas locais, oficinas, leituras e explorações de histórias infantis e visitas monitoradas a exposições. O projeto se propôs a promover o desenvolvimento global das crianças, ampliando seu repertório cultural e artístico e o desenvolvimento de sua própria produção. A professora fez uso de diversos matérias e suportes e utilizou diferentes linguagens. A parceria estabelecida com o Programa Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, responsável pelo transporte, monitoria e materiais educativos foi decisiva para o sucesso do trabalho, já que o programa é tradicionalmente oferecido apenas a alunos a partir da 5ª série do Ensino Fundamental. “Rompemos com preconceitos como de que a criança pequena não é capaz de apreciar uma obra de arte e de que a produção infantil não apresenta elaboração. Além da democratização da arte considerada erudita”, afirma a professora. Apesar de dificuldades enfrentadas como a falta de material diversificado e de qualidade para o trabalho das crianças, o projeto que envolveu sete outros professores – integrando as áreas de Língua Portuguesa, Literatura, Matemática, Geografia, Informática, Ciências e Filosofia – hoje está inserido no Projeto Político Pedagógico da escola como Arte na Educação Infantil.

 

Categoria B
5ª a 8ª série do Ensino Fundamental e Ensino Médio


1º Lugar
Projeto: Expressão Musical, Valores e Protagonismo
Professor (a)/Representante do grupo:
Ricardo Levi
Escola:
Escola Básica Municipal Luiz Cândido da Luz
Pólo Arte na Escola: UDESC – Florianópolis - Santa Catarina
Coordenador do Pólo: Maria Cristina da Rosa

Resumo: Realizado desde 2003 com 180 alunos de 11 a 16 anos de uma escola que atende comunidades localizadas no norte da Ilha Florianópolis, em Santa Catarina, e conhecidas pelos altos índices de criminalidade ligada ao tráfico de drogas, o trabalho busca contribuir para o desenvolvimento integral do ser humano, a inclusão social e o protagonismo juvenil através da arte musical. Além de desenvolver competências, habilidades e conhecimentos para expressar-se na linguagem artística musical – escrever, compor, cantar e tocar músicas de vários estilos –, a proposta procura, por meio da discussão sobre letras de músicas desenvolver o senso crítico, os valores éticos e a noção de cidadania dos alunos. No percurso nem sempre bem aceito pela direção da escola, o professor introduziu, por exemplo, a técnica de bateria em sala de aula. Além da prática, os alunos aprenderam também a leitura e escrita musical. Um coral com repertório variado também foi criado e rapidamente passou das apresentações durante o recreio, à festas e momentos especiais da comunidade. Em 2004, os alunos passaram a escrever suas próprias letras de rap e fizeram os arranjos para acompanhá-las. No mesmo ano, somou-se à bateria do próprio professor, um contrabaixo emprestado por um amigo e um teclado. A partir de experiências explorando os instrumentos em sala de aula e de ensaios em períodos inversos aos das aulas surgiu uma banda com quase trinta componentes: o Grupo Musical Consciência e Atitude. Apesar das dificuldades encontradas no início do projeto quando, segundo o professor, ninguém ouvia ninguém, já que os jovens usavam o amplificador no máximo, o barulho deu lugar a reuniões, conversas, discussões, avaliações e planejamento em conjunto refletindo o amadurecimento de todos. “Com esses ótimos jovens, alguns instrumentos e equipamentos (básicos), alguns arranjos e um pouco de ensaios, estávamos unidos, felizes, entusiasmados, responsáveis, dialogadores, protagonistas. Discutimos desafios, valores e atitudes. Nos comprometemos e agimos. Produzimos cultura, arte, estética, linguagem, expressão”, conta o professor Ricardo.


2º Lugar
Projeto: A cidade e sua gente
Professor (a)/Representante do grupo: Beloní Cacique Braga
Escola: Colégio Batista Mineiro
Pólo Arte na Escola: UFU, Uberlândia - MG
Coordenador do Pólo: Eliane Tinoco

Resumo: Partindo da valorização das pessoas que constroem as cidades e seus espaços, a professora desenvolveu com 160 alunos de 5ª a 7ª série, um trabalho de alfabetização de leitura de imagens muito além da sala de aula, focalizando a vivência e a interação humana, a arte e seu ensino. A proposta surgiu de forma coletiva com os alunos, partindo da análise do trabalho desenvolvido em 2003, “Papel Papelão” – finalista do V Prêmio Arte na Escola –, quando foi criada uma cidade de papel. “As idéias do professor precisam se converter junto aos alunos em ação de alinhavo e não de costura. Enquanto se alinhava, é possível desmanchar a costura, recosturar, cortar, recortar. Assim, a prática pedagógica tende a ser ampliada conscientes de sermos eternamente aprendizes”, afirma a professora. Surgiu daí a idéia de, além de representar, discutir a cidade. Foi feita, então, a opção por conduzir o trabalho a partir das pessoas que habitam e ajudam a construir cotidianamente a cidade de Uberlândia.

Alguns dos objetivos definidos pela professora neste trabalho foram: estimular a discussão e a apreciação artística, desenvolver habilidades de leitura de imagem, identificar aspectos do percurso do artista e desafiar o olhar costumeiro dos alunos. Uma das turmas sugeriu que fossem realizadas entrevistas com moradores da cidade. Cada aluno apresentou os resultados dessas entrevistas e um objeto de cada entrevistado.

A fim de promover a leitura a partir da materialidade, a professora apresentou a imagem “Salvai as vossas almas 1” da série Césio de Siron Franco e que compõe o material arte br. Outras obras de artistas locais também foram utilizadas, assim como diferentes técnicas e procedimentos. A partir de fotos, os alunos fizeram intervenções nas imagens utilizando técnica mista: giz pastel seco, cola colorida e colagem. Outra turma optou pela modelagem da cidade em massa, incluindo construções futuristas. O trabalho contou com a participação do professor de Geografia e as imagens foram discutidas também pela temática, elementos geométricos, perspectivas e uso das cores.

Depois de todo o percurso, foi montada uma exposição no saguão da escola. Para a professora, “a compreensão da arte vista como uma linguagem contemporânea, dinâmica e viável abriu novos olhares para produção pessoal. O tema A cidade e sua gente permitiu algo não muito comum, como o compartilhar da vida particular dos alunos no espaço da sala de aula.”

Menções honrosas categoria A

Projeto: Josué de Castro e Graciliano Ramos sob o Enfoque das Artes Visuais
Professor(a)/Representante do grupo: Verônica Costa Tavieira
Escola: Escola Municipal do Leão
Pólo Arte na Escola: UFPE - Recife– PE
Coordenador do Pólo: Sebastião Gomes Pedrosa

Resumo: Localizada no bairro de Boa Viagem, em Recife, a escola tem nos moradores de favelas do entorno e migrantes do interior do Estado a maioria de seus alunos. Pelas histórias fantásticas ou por tratarem de temas como a fome, os retirantes e a relação do homem com o mangue, foram escolhidas as obras dos dois autores que dão título ao trabalho. “A intenção era proporcionar a esses alunos a oportunidade de um estranhamento artístico voltado para a reflexão crítica de sua própria realidade social, com estímulo à criação a partir de leituras individuais e coletivas das obras abordadas”, conta a professora. Para isso, com a participação dos alunos, foi feito um primeiro levantamento bibliográfico onde livros, reportagens, revistas especializadas e internet foram fontes utilizadas. Apresentação de documentário em vídeo, filmes, palestra, aula explicativa sobre leitura de obras de arte, visita monitorada a museus, oficina de arte com um artista plástico local, e aula-passeio no Rio Capiparibe também fizeram parte do percurso. Sempre trabalhando conceitos de cidadania, obra de arte e elementos da linguagem visual, entre outros. Apesar da falta de infraestrutura adequada ao desenvolvimento das atividades, sobretudo aquelas relacionadas à produção artística, foram montadas na conclusão do projeto: uma exposição de pinturas produzidas nas oficinas e uma apresentação teatral sobre o conto Baleia, de Graciliano Ramos. Para a autora, o projeto didático, hoje incluído no Plano de Desenvolvimento Escola – PDE, enriqueceu a aprendizagem dos alunos que aperfeiçoaram o prazer da leitura, aprenderam a extrair informações relevantes de um texto, foram capazes de relacionar o conteúdo de uma produção artística (texto literário) com a situação social vigente, fazendo inferências pessoais sobre o tema. Além disso, se apropriaram de diferentes linguagens da arte para expressarem suas interpretações e entendimentos, explicitando o desenvolvimento de uma consciência crítica frente a uma realidade que pode ser transformada.

Projeto: Inclusão com Dignidade
Professor(a)/Representante do grupo: Silmara Lopes Piris
Escola: E.E, Batuíra (Poá – SP)
Pólo Arte na Escola: Uniso – Sorocaba-SP
Coordenador do Pólo: José Simões de Almeida Junior

Resumo: A inclusão de alunos com necessidades especiais por meio da arte-educação fugindo do “deixar participar”, mas promovendo interação e a possibilidade ensino-aprendizagem com o outro. Com esse ideal surgiu o trabalho que, a partir das linguagens artísticas – dança, a música, o teatro e artes visuais – utilizadas de forma lúdica, buscou promover a ampliação de repertório cultural, a troca de experiências decorrente da observação permanente das habilidades, facilidades, dificuldades, limites e adaptações de cada um. Entre as atividades propostas, os alunos criaram em grupo composições mostrando as linguagens teatral, corporal e musical utilizando o corpo como suporte, além de registra-las em fotografias.Visitas monitoradas à Pinacoteca do Estado de São Paulo pelo Programa Educativo para Públicos Especiais e para o público geral foram realizadas simultaneamente tiveram o papel de integrar as turmas. Como contribuição do trabalho desenvolvido, a professora pôde notar, por exemplo, o progresso no interesse dos alunos em manifestações artísticas, bem como a desenvoltura na fala, na leitura e na escrita. Em relação aos alunos das classes especiais, foi notado um grande avanço no que diz respeito às suas descobertas e suas possibilidades de participar e contribuir de forma significativa com os outros. Até então, a interação acontecia apenas nos intervalos das aulas, muitas vezes causando brigas pelo desconhecimento e não aceitação do outro. Uma demonstração de dança contemporânea uniu alunos de classes especiais e das demais. Teatro de bonecos e exposições de trabalhos bidimensionais e tridimensionais foram outras apresentações que resultaram do trabalho. “Pude perceber por meio desse projeto que incluir socialmente é tornar a participação significativa de todos, dando a oportunidade de conhecer o outro e a si mesmo, de ensinar e aprender ao mesmo tempo”, conclui a educadora.






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